BURLA
Só não dou classificação negativa pois não é possível!
Venho expor o caso dos meus avós, com o intuito de alertar para que outros não caiam no mesmo erro.
No passado dia 4 de fevereiro do corrente ano, a minha avó atendeu um telefonema da empresa em questão, a convidar para a realização de um rastreio auditivo gratuito que se estava a realizar próximo à sua morada. Sabendo da quantidade de burlas que andam por aí, respondeu que não ia, pois sabia que lhe iam impingir um aparelho auditivo caríssimo, o qual não tinha possibilidades de pagar.
Do outro lado, prontamente lhe responderam que não, que era apenas um rastreio e que ali não vendiam nada, que caso tivessem algum problema, apenas passariam as credenciais para mais tarde ela apresentar ao médico de família que acompanharia o caso a partir daí.
Dito isto, pensando que não tinha nada a perder, chamou o meu avô e dirigiram-se à carrinha onde se realizaria o rastreio auditivo.
Realizaram “testes” em ambos, e fizeram algumas perguntas e, em conversa, a minha avó caiu no erro de mencionar uma breve perda de memória que o meu avô tivera recentemente, episódio isolado, que foi já associado a hipertensão.
A partir daqui, agarrando-se a esta informação, começaram a dizer que o meu avô tinha apenas 20% de audição num dos ouvidos, e 30% no outro. Que precisava de um aparelho com a maior urgência, pois a audição está diretamente associada à memória, que o meu avô já tinha no cérebro algumas células mortas e que, se não usasse um aparelho, poderia acabar por desenvolver a doença de alzheimer ou demência. Disseram que tinham um aparelho muito bom, das melhores tecnologias do mercado, que, além de melhorar a audição, ainda iria impedir que mais células morressem e que, eventualmente, a “doença” entrasse em regressão.
Assustados, os meus avós acabaram por comprar o dito aparelho, que poderiam pagar em “suaves” prestações de 246,47€, pelo período de 24 meses. Isto daria um total de 5915,28€.
Era mais do que eles podiam pagar, mas, nas palavras da minha avó, incutidas pela “doutora” que lhes fez o rastreio, o meu avô vale muito mais que isso.
E lá vieram para casa, assustados, com um aparelho milagroso e um contrato assinado.
Felizmente, olhando para trás e pensando um pouco, decidiram falar com a família e contar o sucedido. Percebemos logo que se tratava de uma burla e prontamente fomos ler o contrato, onde dizia que o comprador tinha 14 dias para resolução do contrato.
No dia 12 de fevereiro, 8 dias após a assinatura do contrato, foi feita uma chamada a informar a resolução do mesmo, e foi enviado o aparelho junto com uma carta, reforçando a vontade deles resolução do contrato, tudo dentro do prazo legal.
Ainda ligaram para os meus avós pelo menos duas vezes na semana seguinte, a perguntar o porquê da devolução do aparelho e o porquê de não terem ligado para o número que a senhora lhes tinha fornecido para ligarem caso tivessem algum problema, ao que responderam que ele simplesmente não se adaptou, e que o aparelho o magoava (o que não era mentira) e desligaram.
Hoje, dia 24 de fevereiro de 2025, 20 dias após o dito “rastreio auditivo”, fomos com o meu avô a uma consulta de otorrinolaringologia.
Após alguns testes, o doutor perguntou ao meu avô o que é que ele tinha lá ido fazer. O meu avô não tem qualquer problema auditivo. Nada. Com 78 anos, ouve provavelmente melhor que eu.
Serve esta classificação apenas para alertar. Avisem os vossos, nunca é demais, e fiquem também vocês atentos. Como disse aos meus avós, possivelmente até eu cairia numa destas, dada a capacidade de persuasão deste tipo de “pessoas”.