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PT110178B - Processo de valorização do repiso de tomate - Google Patents

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PT110178B
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De Matos Machado Remígio
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Manuel Rodrigues De Carvalho Jorge
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Abstract

A PRESENTE INVENÇÃO REFERE-SE A UM PROCESSO INTEGRADO, E RESPETIVO EQUIPAMENTO, PARA RECUPERAR SUMO DE TOMATE DO REPISO DO TOMATE ASSIM COMO DESIDRATAR E ESTABILIZAR BIOLOGICAMENTE O MESMO. O PROCESSO INOVADOR DESENVOLVIDO COMPORTA QUATRO ETAPAS PRINCIPAIS: SEPARAÇÃO POR DISSOLUÇÃO EM MATRIZ AQUOSA COMPATÍVEL COM ALIMENTAÇÃO HUMANA, SEPARAÇÃO SÓLIDO-LÍQUIDO, LAVAGEM DE BOLOS DE FILTRAÇÃO E DESIDRATAÇÃO TÉRMICA. OS EQUIPAMENTOS PRINCIPAIS PARA A REALIZAÇÃO DESTE PROCESSO SÃO UM MISTURADOR COM AGITAÇÃO MECÂNICA E UM FILTRO PRENSA COM PLACAS DE MEMBRANA E CAPACIDADE DE DESIDRATAÇÃO TÉRMICA SOB VÁCUO. O SUMO DE TOMATE RESULTANTE DO PROCESSO DESENVOLVIDO DESTINA-SE A SER INCORPORADO NOS CONCENTRADOS DE TOMATE DA INDÚSTRIA TRANSFORMADORA DO TOMATE. O REPISO DE TOMATE DESIDRATADO É UM PRODUTO BIOLOGICAMENTE ESTÁVEL, PODE SER UTILIZADO NA ALIMENTAÇÃO ANIMAL DE RUMINANTES E NÃO RUMINANTES E COMO MATÉRIA-PRIMA PARA APLICAÇÕES BIOTECNOLÓGICAS E FARMACÊUTICAS.

Description

DESCRIÇÃO
Processo de valorização do repiso de tomate
Campo da invenção
Campo técnico em que a invenção se insere
A presente invenção refere-se a um processo, e respetivo equipamento, para valorizar o repiso de tomate através da recuperação do sumo de tomate e do respetivo repiso do tomate, assim como desidratar o repiso do tomate de forma a estabilizar o mesmo.
Estado da técnica repiso de tomate é um subproduto da produção de concentrado de tomate, constituído pelas películas, sementes e polpa residual, corresponde a cerca de 4% do peso do tomate e é rico em compostos biologicamente ativos [Del Valle M., et al, 2006]. O repiso de tomate contem níveis elevados de compostos fenólicos, flavonóides, licopeno e ácido ascórbico. O trabalho publicado por [Nobre B., et al, 2009] mostra que a atividade antioxidante, tanto em extratos hidrofílicos e lipofílicos, medidos pelo método calorimétrico relacionado com a capacidade dos antioxidantes de neutralizar radicais de sais de amónio derivados do ácido 2,2'- azinobis (3-etilbenzotiazolina-6-ácido sulfónico (ABTS), no repiso e polpa de tomate é superior nas frações correspondentes às películas do tomate em comparação com as frações de polpa e de sementes.
A concentração de licopeno no tomate está compreendida entre 0,639 mg/lOOg e 1,98 mg/lOOg [Devinder K., et al, 2008] e representa cerca de 80 a 90% [Navarro-González I., et al,2011] do total dos carotenóides sendo que a maior parte dos compostos encontra-se nas frações insolúveis (70-90%).
A pele do tomate contém também elevadas concentrações de compostos fenólicos, nomeadamente a rutina [Cetkovic' G., et al,2012]. No trabalho referido em [George B., et al, 2004] foram estudados compostos antioxidantes em 12 genótipos de tomate diferentes e concluíram que a pele de tomate contém concentrações elevadas de compostos polifenólicos e acido ascórbico em concentrações 2,5 vezes superiores do que na polpa de tomate.
O óleo de semente de tomate é cerca de 35% (m/m) em base seca [Giannelos P., et al, 2005] . O óleo da semente do tomate contém mais de 84% de ácidos gordos insaturados, tais como ácido oleico, linoleico e linolénico [Demirbas A., 2010].
Foi demonstrado que a inclusão de repiso de tomate em regimes alimentares de galinhas poedeiras melhora a coloração da gema de ovo, com efeito verificou-se que cerca de 5,8% do licopeno ingerido foi transferido para a gema do ovo [Mansoori B., et al, 2005].
Devido à elevada concentração de nutrientes na pele de tomate [Ramandeep T., et al, 2005] e à sua elevada atividade antioxidante os autores do trabalho [Elbadrawy E., et al, 2011] sugerem que a pele de tomate ou o extrato da pele do tomate sejam utilizados como um suplemento alimentar.
Apesar de o repiso de tomate ser rico em nutrientes com um elevado potencial de valorização o seu valor comercial é praticamente nulo [Duarte C., et al, 2007] pois quando exposto ao ar, sofre degradação microbiológica, com emissão de odores desagradáveis promovendo a proliferação de mosquitos e pragas no local onde se encontra.
A presente invenção refere-se a um processo, e respetivo equipamento, para valorizar o repiso de tomate através de recuperação de sumo do repiso do tomate assim como desidratar o repiso de forma a estabilizá-lo biologicamente. Um processo de recuperação de sumo de tomate que possa ser incorporado de forma técnica e economicamente viável num processo de produção de repiso tem que ter em conta dois parâmetros fundamentais. 0 primeiro refere-se à quantidade mínima de sólidos solúveis, nomeadamente açúcares, critério que se traduz num grau brix superior a 4o Bx. 0 segundo aspeto de extrema relevância é a quantidade de lípidos e ácidos gordos presentes no sumo recuperado do repiso de tomate o qual deve ter uma concentração de lípidos inferior a 0,3 g/lOOg e de ácidos gordos (saturados ou insaturados) inferior a 0,2 g/lOOg. A presença de lípidos e ácidos gordos promove o aparecimento de cor, sabores e odores indesejáveis durante os processos de concentração do sumo por evaporação e após o seu armazenamento.
A patente [Luther D., et al, 2013] descreve um processo genérico de produção de extratos de resíduos vegetais incluindo repiso de tomate. No entanto o processo descrito em [Luther D., et al, 2013] não pode ser utilizado para a produção de sumo de tomate com qualidade suficiente para incorporação no processo de concentrado de tomate pois utiliza processos de prensagem dos extratos vegetais, os quais promovem a rutura das sementes do tomate com libertação para o sumo extraído de elevadas quantidades de óleo, o qual inviabilizaria a sua utilização ou incorporação no processo industrial de concentrado de tomate. Refira-se ainda que o subproduto da patente [Luther D., et al, 2013] é húmido não estabilizado biologicamente. A secagem é um processo bem conhecido de estabilização do repiso de tomate. A secagem convectiva realizada com passagem de ar quente em secadores de tabuleiros, secadores de túnel, secadores de cilindros rotativos ou leitos fluidizados é energeticamente dispendiosa. A secagem em estufas solares exige grandes áreas de implementação e está dependente das condições climatéricas. É dentro deste contexto que a indústria muito necessita de uma solução integrada para o repiso de tomate que por um lado permita a recuperação de sumo tomate com qualidade para ser incorporado no concentrado de tomate e por outro lado o desidrate, estabilizando-o biologicamente e permitindo que o repiso de tomate seco seja utilizado como matéria-prima de valor acrescentado na indústria cosmética, farmacêutica e em alimentação animal.
Sumário da invenção
A presente invenção refere-se a um processo, e respetivo equipamento, para valorizar o repiso de tomate através de recuperação de sumo do repiso do tomate assim como desidratar o repiso de forma a estabilizar o mesmo.
processo proposto é integrado compreendendo as seguintes etapas sequenciais:
a) Separação por dissolução em matriz aquosa compatível com alimentação humana dos açúcares solúveis do repiso de tomate, realizada num misturador com agitação mecânica (5) . A matriz aquosa utilizada contendo açúcares e compatível com alimentação humana, é a resultante da lavagem dos bolos de filtração do repiso de tomate, proveniente do filtro prensa com placas de membrana e capacidade de desidratação térmica sob vácuo (6), com formação de uma suspensão de repiso de tomate;
b) Separação sólido-líquido da suspensão de repiso de tomate obtida em a), realizada num filtro prensa com placas de membrana e capacidade de desidratação térmica sob vácuo (6) com obtenção de sumo de tomate e bolos de filtração;
c) Lavagem dos bolos de filtração obtidos em b) , realizada no filtro prensa com placas de membrana e capacidade de desidratação térmica sob vácuo (6), através da lavagem por intrusão forçada de água;
d) Desidratação térmica dos bolos de filtração lavados em c) , realizada no filtro prensa com placas de membrana e capacidade de desidratação térmica sob vácuo (6) com utilização de um fluido térmico.
A recuperação de sumo tomate tem dois objetivos: aumentar o rendimento do processo de obtenção de concentrados de tomate e por outro lado diminuir o nível de açúcares fermentáveis existentes no repiso para aumentar a sua estabilidade biológica. A desidratação térmica tem por objetivo principal a estabilização do repiso de tomate permitindo que este se transforme numa matéria-prima com valor acrescentado para incorporação em rações animais ou como matéria-prima para extração de compostos com elevado valor acrescentado tais como o licopeno ou o óleo de semente de tomate.
Descrição detalhada da invenção
A presente invenção refere-se a um processo, e respetivo equipamento, para valorizar o repiso de tomate através de recuperação de sumo do repiso do tomate assim como desidratar o repiso de forma a estabilizar o mesmo.
A primeira etapa do processo é a separação por dissolução em matriz aquosa dos açúcares solúveis existentes no repiso do tomate. A matriz aquosa utilizada contendo açúcares e compatível com alimentação humana, é a resultante da lavagem dos bolos de filtração do repiso de tomate, numa proporção que varia entre 0,5 Kg a 2 kg de solução de lavagem por quilograma de repiso seco. A separação por dissolução em matriz aquosa realiza-se num misturador com agitação mecânica (5) , apropriado para misturar suspensões com uma concentração de sólidos superior a 20% e elevada viscosidade. A velocidade de agitação deve ser moderada, compreendida entre 140 e 160 rpm para evitar rutura das sementes de tomate e a libertação lipidos e ácidos gordos para a fase líquida. O tempo de residência do repiso de tomate no misturador com agitação mecânica (5) está compreendido entre 2 e 15 minutos.
A segunda etapa principal do processo é a separação sólido-líquido, realizada num filtro prensa com placas de membrana e capacidade de desidratação térmica sob vácuo (6). Nesta etapa obtém-se uma fase aquosa, designada por sumo de tomate, com sólidos solúveis correspondentes a um grau brix superior a 4o Bx e uma fase sólida constituída principalmente por películas e sementes do repiso designada por bolos de filtração. A filtração deve ser realizada a pressões moderadas não superiores a 700 kPa para evitar rutura das sementes do tomate e contaminação do sumo de tomate com lipidos e ácidos gordos. A bomba de alimentação da suspensão do repiso de tomate (7) do misturador com agitação mecânica (5) até ao filtro prensa com placas de membrana e capacidade de desidratação térmica sob vácuo (6) deve ser do tipo de deslocamento positivo indicada para suspensões com uma concentração de sólidos superior a 20%, compatível com o processamento de suspensões para alimentação humana. A pressão da bomba de deslocamento positivo indicada para suspensões com uma concentração de sólidos superior a 20% de alimentação ao filtro (9) deve ser controlada por controladores integrados, para evitar pressões superiores a 700 kPa , que podem provocar a rutura das sementes do tomate e contaminar o sumo de tomate com lipidos e ácidos gordos.
As placas de filtração devem ser côncavas, com membranas formando câmaras de filtração com profundidades compreendidas entre 1 e 5 cm. Podem também ser utilizados conjuntos de placas de filtração nas quais as placas com membranas são intercaladas com placas côncavas com superfícies filtrantes metálicas de forma a facilitar a transferência de calor na etapa de desidratação térmica.
As telas de filtração utilizadas devem ser preferencialmente do tipo monofilamento em polipropileno e ter elevadas permeabilidades ao ar compreendida entre 1750 e 3500 dm3/ (dm2.min) de forma a permitir a passagem de fibras insolúveis para o sumo de tomate. Usa-se preferencialmente telas do tipo monofilamento em polipropileno para facilitar a limpeza das mesmas. Em alternativa podem ser utilizadas redes de filtração construídas em material compatível com alimentação humana com abertura de malha inferior a 1000 pm.
Após a etapa de filtração, os bolos de filtração são comprimidos por dilatação das membranas flexíveis das placas de filtração com água ou ar comprimido a uma pressão não superior a 7 00 kPa, para evitar a rutura das sementes do tomate e contaminar o sumo de tomate com lipidos e ácidos gordos.
O sumo de tomate obtido na etapa de separação sólidolíquido atrás descrita deve ter um grau Brix superior a 4 °Bx e poderá ser integrado num processo de produção de concentrado de tomate. Caso o sumo de tomate tenha um grau Brix inferior a 4 °Bx o mesmo poderá ser utilizado como matriz aquosa contendo açúcares e compatível com alimentação humana, para separação por dissolução dos açúcares solúveis na primeira etapa do processo.
A terceira etapa do processo consiste na lavagem dos bolos de filtração, a qual é realizada com água de qualidade alimentar na proporção de 0,3kg a l,5kg de água por kg de repiso seco. A água é introduzida no interior das câmaras de filtração, com todas as válvulas de drenagem do filtro prensa com placas de membrana e capacidade de desidratação térmica sob vácuo (6) fechadas.
Segue-se uma compressão dos bolos de filtração húmidos, por dilatação das membranas flexíveis das placas de filtração com água ou ar comprimido a uma pressão não superior a 700 kPa para evitar a rutura das sementes de tomate e libertação de lípidos e ácidos gordos para a matriz aquosa, durante um período compreendido entre 1 a 5 minutos, seguido de descompressão das membranas. A introdução de água nos bolos de filtração, seguida de compressão e descompressão dos bolos de filtração é designada, na presente invenção, por modo de lavagem por intrusão forçada, sendo este modo repetido entre 1 a 6 vezes. No fim dos ciclos de intrusão forçada, as válvulas de drenagem do filtro são abertas e os bolos são novamente comprimidos, por dilatação das membranas flexíveis das placas de filtração com água ou ar comprimido a uma pressão não superior a 700 kPa para evitar a rutura das sementes de tomate e libertação de lípidos e ácidos gordos para a matriz aquosa, obtendo-se uma matriz aquosa contendo açúcares compatível com alimentação humana a qual é utilizada no primeiro passo do processo e tem um grau Brix compreendido entre 0,2 e 2 °Bx.
Após a lavagem dos bolos de filtração realiza-se a operação de desobstrução do canal de alimentação que pode ser central, lateral ou superior, conforme o modelo das placas, durante 1 a 5 minutos por injeção de ar seco comprimido com uma pressão entre 100 a 500 kPa. Esta operação permite reduzir a concentração de repiso molhado no interior do filtro prensa com placas de membrana e capacidade de desidratação térmica sob vácuo (6) e facilitar a etapa de desidratação térmica.
O passo de desidratação térmica realiza-se também no filtro prensa com placas de membrana e capacidade de desidratação térmica sob vácuo (6) por circulação de fluido térmico no interior das placas de filtração durante um período compreendido entre 60 e 360 minutos. Durante esse período os bolos de filtração lavados são submetidos a uma pressão de vácuo absoluta compreendida entre 2 e 15 kPa. O referido fluido térmico pode ser água quente com uma temperatura compreendida entre 75 e 98°C, a qual é uma fonte de energia secundária existente a baixo custo nas indústrias produtoras de concentrado de tomate. Em alternativa pode ser utilizado como fluido térmico para esta etapa vapor de água sujeito a uma pressão até 600 kPa.
Após a etapa de desidratação térmica obtém-se um repiso seco com uma humidade compreendida entre 10% e 45% o qual é estável biologicamente e pode ser utilizado como suplemento alimentar em rações animais ou como matéria-prima com valor acrescentado para indústrias de extração de licopeno, extração de óleo de semente de tomate e indústrias cosméticas e farmacêuticas.
Descrição da figura
A Figura 1 representa o diagrama de processo de recuperação de sumo do repiso de tomate e da desidratação térmica do mesmo. 0 repiso de tomate obtido pelo processo produtor de concentrado de tomate é armazenado no tanque cónico (1) a partir do qual é transportado pela bomba de deslocamento positivo indicada para suspensões com uma concentração de sólidos superior a 20% de alimentação do repiso de tomate (7) ao misturador com agitação mecânica (5) . Após a separação por dissolução em matriz aquosa dos açúcares solúveis a suspensão é alimentada com a bomba de deslocamento positivo indicada para suspensões com uma concentração de sólidos superior a 20% de alimentação do filtro (9) ao filtro prensa com placas de membrana e capacidade de desidratação térmica sob vácuo (6). Após filtração realiza-se a compressão dos bolos de filtração através da dilatação sob pressão das membranas flexíveis das placas de filtração. A bomba centrífuga de pressão (10) permite a circulação sob pressão e em circuito fechado da água de compressão dos bolos de filtração. Após a filtração e compressão dos bolos de filtração obtém-se sumo de tomate que é encaminhado para o tanque de armazenamento de sumo de tomate (3). A lavagem dos bolos de filtração é realizada com água de qualidade alimentar armazenada no tanque de água (2), a qual é bombeada com a bomba centrífuga de água (8) para o interior do filtro prensa com placas de membrana e capacidade de desidratação térmica sob vácuo (6). No fim da realização da operação de lavagem dos bolos obtém-se uma matriz aquosa, após operação apropriada da válvula de três vias (14), é armazenada no tanque de armazenamento de matriz aquosa para a etapa de separação por dissolução (4). A matriz aquosa é posteriormente alimentada com a bomba centrífuga de matriz aquosa (11) ao misturador com agitação mecânica (5). A desidratação dos bolos de repiso realiza-se por circulação de fluido térmico em circuito fechado no interior das placas de filtração aquecido pela fonte energética (13).
filtro prensa com placas de membranas e capacidade de desidratação térmica sob vácuo (6) pode ser equipado com um conjunto de placas com membranas flexíveis construídas em material compatível com alimentação humana ou com placas equipadas com membrana flexível alternadas com placas filtrantes de superfície metálica. Esta última configuração permite uma melhor transferência de calor aumentando a eficiência da secagem térmica.
Após a desidratação dos bolos de filtração o filtro prensa com placas de membrana e capacidade de desidratação térmica sob vácuo (6) é aberto e o repiso desidratado é encaminhado para armazenamento através do tapete transportador dos bolos de filtração (12) .
Exemplo 1
Realizou-se ensaio piloto com 147 kg de repiso de tomate com 71% de humidade como obtido á saída de processo de produção de concentrado de tomate. A separação por dissolução em matriz aquosa compatível com alimentação humana, dos açúcares solúveis do repiso de tomate ocorreu num misturador com agitação mecânica (5) com uma agitação de 140 rpm durante 7 minutos. Foi adicionado ao repiso no misturador com agitação mecânica (5) 46 kg da matriz aquosa resultante da lavagem de bolos de filtração (obtida num ensaio anterior) com grau Brix de 1,3.
Após a separação por dissolução em matriz aquosa contendo açúcares, compatível com alimentação humana, a suspensão de repiso de tomate foi alimentada ao filtro prensa com placas de membrana e capacidade de desidratação térmica sob vácuo (6) com uma bomba de deslocamento positivo indicada para suspensões com uma concentração de sólidos superior a 20% de alimentação do filtro (9) a uma pressão constante de 400 kPa. Foram utilizadas placas de filtração côncavas com membranas flexíveis construídas em material compatível com alimentação humana que permitiam a formação de bolos de filtração com 4 cm de espessura.
Foram utilizadas, como meio filtrante, telas do tipo monofilamento em polipropileno com permeabilidade ao ar de 3279 dm3/ (dm2.min) .
Após a operação de filtração obteve-se 84 kg de sumo de tomate com grau brix de 5, 1 °Bx e com uma concentração de lípidos totais igual a 0,2g/100g, uma concentração de ácidos gordos saturados de 0,14g/100g, ácidos gordos monoinsaturados de 0,02g/100g e ácidos gordos polinsaturados de 0,03g/100g. Estas características permitiram a incorporação do sumo de tomate no processo de industrial de produção de concentrado de tomate.
A lavagem dos bolos foi realizada por introdução nas câmaras de filtração do filtro prensa com placas de membrana e capacidade de desidratação térmica sob vácuo (6) de 52,3 kg de água de qualidade alimentar, tendo sido realizados 3 ciclos de lavagem por intrusão forçada, obtendo-se uma matriz aquosa compatível com alimentação humana contendo açúcares com grau brix de 1,3 °Bx.
A desidratação térmica foi realizada utilizando como fluido térmico água quente a 90°C durante 90 minutos sujeitando os bolos de filtração 8 kPa. Obteve-se no final 39,5kg filtração com 33% de humidade.
a uma pressão absoluta de em massa seca de bolos de
Exemplo 2
Realizou-se ensaio piloto com 162 kg de repiso de tomate com 72% de humidade obtido à saída de processo de produção de concentrado de tomate. A separação por dissolução em matriz aquosa compatível com alimentação humana dos açúcares solúveis do repiso de tomate ocorreu num misturador com agitação mecânica (5) com uma agitação de 160 rpm durante 6 minutos. Foi adicionado ao repiso no misturador com agitação mecânica (5) 50 kg de matriz aquosa resultante da lavagem de bolos de filtração (obtida no exemplo 1 anterior) com grau Brix de 1,3 °Bx.
Após a separação por dissolução em matriz aquosa compatível com alimentação humana contendo açúcares, a suspensão de repiso foi alimentada ao filtro prensa com placas de membrana e capacidade de desidratação térmica sob vácuo (6) com uma bomba de deslocamento positivo indicada para suspensões com uma concentração de sólidos superior a 20% de alimentação do filtro (9) a uma pressão constante de 500 KPa. Foram utilizadas placas de filtração côncavas com membranas flexíveis construídas em material compatível com alimentação humana alternadas com placas de superfície filtrante metálica.
Este conjunto de placas permitiu a formação de bolos de filtração com 2 cm de espessura. Utilizaram-se, como meio filtrante, redes de filtração construídas em poliamida compatível com alimentação humana com abertura de malha de 800 pm.
Após a operação de filtração obteve-se 89 kg de sumo de tomate com grau brix de 6, 1 °Bx e com uma concentração de lípidos totais igual a 0,2g/100g, uma concentração de ácidos gordos saturados de 0,16g/100g, ácidos gordos monoinsaturados de 0,01g/100g e ácidos gordos polinsaturados de 0,02g/100g.
A lavagem dos bolos foi realizada por introdução nas câmaras de filtração do filtro prensa com placas de membrana e capacidade de desidratação térmica sob vácuo (6) de 54 kg de água de qualidade alimentar, tendo sido realizados 3 ciclos de lavagem por intrusão forçada e obtendo-se uma matriz aquosa compatível com alimentação humana contendo açúcares com grau brix de 1,3 °Bx.
A desidratação térmica foi realizada utilizando como fluido térmico água quente a 85°C durante 180 minutos e sujeitando os bolos de filtração a uma pressão absoluta de 8 kPa. Obteve-se no final 43kg em massa seca de bolos de filtração com 16% de humidade.

Claims (10)

  1. REIVINDICAÇÕES
    1. Processo de valorização do repiso de tomate, caracterizado por ser integrado, compreendendo as seguintes etapas sequenciais:
    a) Separação por dissolução em matriz aquosa dos açúcares solúveis do repiso de tomate, realizada num misturador com agitação mecânica (5), com uma velocidade compreendida entre 140 e 160 rpm, e utilizando alimentação simultânea de repiso de tomate e de uma matriz aquosa, contendo açúcares, compatível com alimentação humana, resultante da lavagem dos bolos de filtração do repiso de tomate proveniente do filtro prensa com placas de membrana e capacidade de desidratação térmica sob vácuo (6), com formação de uma suspensão de repiso de tomate;
    b) Separação sólido-líquido da suspensão de repiso de tomate obtida em a) , realizada num filtro prensa com placas de membrana e capacidade de desidratação térmica sob vácuo (6) com obtenção de sumo de tomate e bolos de filtração;
    c) Lavagem dos bolos de filtração obtidos em b), realizada no filtro prensa com placas de membrana e capacidade de desidratação térmica sob vácuo (6), através da lavagem por intrusão forçada de água;
    d) Desidratação térmica dos bolos de filtração lavados em c) , realizada no filtro prensa com placas de membrana e capacidade de desidratação térmica sob vácuo (6) com utilização de um fluido térmico.
  2. 2. Processo de acordo com a reivindicação 1, caracterizado pela adição da matriz aquosa compatível com alimentação humana contendo açúcares, resultante da lavagem dos bolos de filtração numa proporção que varia entre 0,5 a 2 kg de solução de lavagem por kg de repiso seco.
  3. 3. Processo de acordo com as reivindicações 1 e 2, caracterizado por o período de residência, do repiso de tomate no misturador com agitação mecânica (5), estar compreendido entre 2 e 15 minutos.
  4. 4. Processo de acordo com a reivindicação 1, caracterizado por o transporte e alimentação da suspensão de repiso de tomate ao filtro prensa com placas de membrana e capacidade de desidratação térmica sob vácuo (6) ser efetuado por uma bomba de deslocamento positivo indicada para suspensões com uma concentração de sólidos superior a 20% de alimentação do filtro (9).
  5. 5. Processo de acordo com a reivindicação 1, caracterizado por a separação sólido-líquido da suspensão de repiso de tomate ser realizada no filtro prensa com placas de membranas e capacidade de desidratação térmica sob vácuo (6) equipado com placas com membranas flexíveis construídas em material compatível com alimentação humana.
  6. 6. Processo de acordo com as reivindicações 1 e 5, caracterizado por a separação sólido-líquido da suspensão de repiso de tomate ser realizada no filtro prensa com placas de membranas e capacidade de desidratação térmica sob vácuo (6) equipado com placas com membranas flexíveis construídas em material compatível com alimentação humana alternadas com placas filtrantes de superfície metálica.
  7. 7. Processo de acordo com a reivindicação 1, caracterizado por a separação sólido-líquido da suspensão de repiso de tomate ser realizada no filtro prensa com placas de membrana e capacidade de desidratação térmica sob vácuo (6) contendo telas de filtração monofilamento polipropileno com permeabilidade ao ar compreendida entre 1750 e 3500 dm3/(dm2.min) .
  8. 8. Processo de acordo com a reivindicação 1, caracterizado por a separação sólido-líquido da suspensão de repiso de tomate ser realizada no filtro prensa com placas de membrana e capacidade de desidratação térmica sob vácuo (6) contendo redes de filtração construídas em material compatível com alimentação humana com abertura de malha inferior a 1000 pm.
  9. 9. Processo de acordo com a reivindicação 1, caracterizado por a lavagem dos bolos de filtração por intrusão forçada se realizar com água de qualidade alimentar na proporção de 0,3kg a l,5kg de água por kg de repiso seco, repetindo-se o ciclo de lavagem sucessiva de 1 a 6 vezes, até pressão não superior a 700 kPa.
  10. 10. Processo de acordo com a reivindicação 1, caracterizado por a desidratação térmica dos bolos de filtração utilizar como fluido térmico, água a uma temperatura compreendida entre 75 e 98°C ser realizada durante um período compreendido entre 60 e 360 minutos, com os bolos de filtração sujeitos a uma pressão de vácuo absoluta compreendida entre 2 e 15 kPa.
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